Muitos afirmam que, ao olhar-se para o céu, está-se a ver um
instantâneo do presente do cosmos. Contudo isto não é rigorosamente
verdade. Na malha espaço-tempo do observador em questão, os eventos que
este observa no céu têm coordenadas espaciais que os situam a distâncias
astronômicas deste, e os tempos em que estes fenômenos ocorrem no
referencial do observador principal não correspondem ao tempo que este
lê no seu relógio de pulso no exato momento em que esses estão a ser
observados (o tempo presente); devendo-se dessa leitura subtraírem-se os
respectivos intervalos de tempo necessários para a luz viajar dos
locais dos eventos até o observador a fim de determinarem-se as
coordenadas de tempo t desses eventos. Portanto, em seu referencial,
esses eventos, embora lhe sejam simultâneos, já encontram-se no tempo passado
(já aconteceram), e geralmente em tempos passados muito distintos.
Segundo as normas de medida, como observador, este pode valer-se apenas de sua rede espaço-temporal
dotada de inúmeras marcações quanto à distância à origem e de inúmeros
relógios justapostos a tais marcações, previamente ajustados e
corretamente sincronizados por um pulso de luz oriundo da origem do
sistema de coordenadas para fazer tais medidas, não lhe sendo permitido
considerar apenas a origem do referencial - situada distante dos eventos
em questão; pelo menos não de forma tão simplista como este o faria ao
assumir que a informação propaga-se de forma instantânea e que os
fenômenos que observa simultaneamente estariam a ocorrer todos ao mesmo
tempo t.





