As sorveiras ou sorvas brasileiras são diversas e bastante comuns em
toda a região amazônica, onde são frequentes, especialmente, em terras
dos Estados do Amazonas, do Pará, do Amapá e de Rondônia, chegando até
às Guianas, à Colômbia e ao Peru.
Encontram-se sorvas silvestres em meio à floresta densa de matas
virgens, em terrenos alagados ou de terras firmes. Algumas variedades
são espontâneas nos campos ou campinas e em matas secundários, sendo
frequentemente cultivadas nos arredores de Manaus.
Os frutos das sorveiras, em todas as suas variedades, são do tamanho
de limões e, no princípio, verdes, passando depois a uma cor parda e
escura. Apesar de apresentarem um sabor bom e adocicado e de se
constituírem em importante alimento para as populações regionais, sendo
consumidos in natura ou como bebida refrigerante, os frutos da sorveira
não são os únicos produtos que podem ser extraídos dessa árvore.
Do tronco das sorveiras, especialmente das espécies Couma macrocarga
(sorva-grande) e Couma utilis (sorva-pequena), é possível extrair boas
quantidades de um látex espesso, branco e viscoso, que é comestível e de
paladar adocicado. Esse látex pode ser ingerido puro, porém sempre
diluído em água. Dessa forma, é usado como bebida em substituição ao
leite de vaca, acrescido de café ou, ainda, como ingrediente no preparo
de mingaus.
Na floresta, por exemplo, é comum o seringueiro sair para sua jornada
de trabalho sem precisar levar nenhum alimento: é em árvores como a
sorveira e em seu látex consistente que o habitante da terra encontra
parte de seu sustento diário.
Retirado das árvores por um processo semelhante ao da extração do
látex da borracheira, o látex da sorveira tem, também, grande utilidade
como matéria-prima industrial, em especial na fabricação de goma de
mascar. Após a extração, o látex se solidifica e é comercializado em
grandes blocos compactos destinados, basicamente, à exportação. Segundo
Paulo Cavalcante, a exploração da sorva com essa finalidade e seu
comércio já foram muito intensos na floresta, tendo se reduzido bastante
nas Ultimas décadas.
O látex da sorveira pode, ainda, ser utilizado industrialmente na
produção de gomas e de vernizes. Desde tempos longínquos, os nativos da
Amazônia sabem que, além de suas utilidades alimentícias, o látex da
sorveira tem propriedades isolantes, sendo bastante resistente ao tempo e
à umidade. Coagulado e misturado com outras substâncias, por exemplo,
esse látex é muito empregado na calafetação das einbarcacões e caiação
das paredes das habitações amazônicas.

