segunda-feira, 27 de julho de 2015

Bruxinha

Em 1741, o cirurgião Lucas da Costa Pereira, morador na vila de Araritaguaba – hoje a cidade de Porto Feliz, foi denunciado ao Santo Ofício como libertino. Ele era acusado de comer carne em dias proibidos, de não freqüentar mais as missas e de praticar atos sodomitas com negros. Em 1747, o cirurgião foi açoitado e condenado a 10 anos de exílio.
Outro caso curioso data de 1812, quando a portuguesa Maria Perpétua Calafate de Souza, moradora da Ilha de São Sebastião – hoje Ilhabela, foi denunciada ao padre da paróquia local, por alguns moradores, recebendo acusação de bruxaria e feitiçaria. Entre os denunciantes estava o capitão Domingos, o comerciante de escravos mais importante da região.
Perpétua, como era mais conhecida, era famosa por suas supostas ligações com o diabo.
Segundo consta, ela teve um desentendimento com Joana, uma das escravas do capitão Domingos, e jurou vingar-se. Coincidentemente, alguns dias depois, Joana adoeceu e, em seguida, veio a falecer. O capitão Domingos, junto com outros moradores da Ilha, deu queixa ao padre do vilarejo acusando Perpétua de ter feito um feitiço para matar a escrava. O ocorrido foi levado ao conhecimento do governador da capitania de São Paulo e a casa dela foi investigada pelas autoridades. Além de diversos apetrechos de magia, foi encontrada uma orelha humana seca.
Perpétua foi morta a facadas pelo próprio marido em 1817; por isso não foi levada a julgamento.
É difícil precisar o número de pessoas condenadas à morte. Uma coisa, porém, é certa: Entre todos os condenados à morte por bruxaria, mais de 80% eram mulheres