A angelologia islâmica
é largamente devedora às tradições dos Zoroastrianismo, do Judaísmo e
do Cristianismo primitivo, e divide os anjos em dois partidos
principais, os bons, fiéis a Deus, e os maus, cujo chefe é Iblis ou Ash-Shaytan, privados da graça divina por terem se recusado a prestar homenagens a Adão.
Por outro lado, existe também no Islamismo uma categorização
hierárquica. Em primeiro lugar estão os quatro Tronos de Deus, com
formas de leão, touro, águia e homem. Em seqüência, vêm o querubim, e
logo os quatro arcanjos: Jibril ou Jabra'il, o revelador, intermediário entre Deus e os profetas e constante auxiliador de Maomé; Mikal ou Mika'il, o provedor, citado apenas uma vez no Corão (2:98) e quem, segundo a tradição, ficou tão horrorizado com a visão do inferno quando este foi criado que jamais pôde falar de novo; Izrail,
o anjo da morte, uma criatura espantosa de dimensões cósmicas, quatro
mil asas e um corpo formado de tantos olhos e línguas quantas são as
pessoas da Terra, que se posta com um pé no sétimo céu e outro no limite
entre o paraíso e o inferno; e Israfil, o anjo do julgamento, aquele que tocará a trombeta no Juízo Final;
tem um corpo cheio de pelos e feitos de inumeráveis línguas e bocas,
quatro asas e uma estatura que vai desde o trono de Deus até o sétimo
céu. Por fim, os demais anjos. Como uma classe à parte estão os gênios, ou djins,
que possuem muitas características humanas, como a capacidade de se
alimentar, propagar a espécie, e morrer, e cujo caráter é ambíguo.
