Na seleção natural, processo proposto por Darwin, apenas os mais aptos se reproduzem e se multiplicam, eliminando assim, geração após geração, os genes
problemáticos. É devido a esta razão que os animais selvagens são
visivelmente saudáveis psicológica e fisicamente. Na seleção artificial,
especificamente dos cães, o critério é acasalar os caninos a partir das
formas físicas, chamadas morfológicas, orgânicas, chamadas
fisiológicas, e mentais, conhecidas como psíquicas. Como exemplo dessas
seleções está a criação das raças pequenas, resultados dos acasalamentos
dos espécimes menores, independente de suas capacidades de
sobrevivência. Conduzida pelo ser humano, a seleção artificial é
direcional: a partir de indivíduos selecionados por suas
características, tem-se as novas ninhadas, que serão novamente
selecionadas, de acordo com as peculiaridades desejadas. Desta forma, os
genes responsáveis pelas características escolhidas aumentam de
frequência e tendem a entrar em homozigose. Ao mesmo tempo, pode-se evitar a reprodução de indivíduos que não possuam as qualidades almejadas.
Todavia, não se obtém apenas benefícios destes cruzamentos seletivos.
Juntamente com os genes das características visíveis, são repassados
aqueles que, apesar de presentes, não se manifestaram no indivíduo, mas
que, provavelmente, afetarão seus descendentes. Alguns acarretam
propensão para males como displasia coxofemoral, surdez, miopia, diversas doenças de pele
e problemas psicológicos. Disfarçadamente, há ainda um outro problema
que acomete os caninos. No intuito de criar diferentes raças, o homem
desenvolveu características extremas, que atrapalham o bem-estar do
animal: os buldogues têm os focinhos tão achatados que não conseguem respirar normalmente; shar peis têm tanta pele extra que desenvolvem micoses e infecções nas dobras; e os border collies tornaram-se hiperativos, entre outros exemplos.
Em suma, apesar do sucesso na criação de variadas raças com
determinadas características físicas e mentais, como o aperfeiçoamento
de cães para pastoreio, há os problemas derivados dessas seleções, que
dificultam as vidas dos espécimes e lhes causam graves problemas
hereditários de saúde. Para evitar estes males, é preciso não reproduzir
cães com problemas psicológicos ou físicos mesmo que sejam campeões de
beleza ou excelentes em alguma atividade útil ao ser humano. Apesar da
possibilidade, não há registro de raça canina criada em laboratório.






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